Segunda-feira, 12 de Setembro de 2011

Cortes na despesa dominam as preocupações de pais e docentes. E o desemprego atinge um valor recorde entre os contratados. Mais de um milhão de alunos iniciam as aulas até 5ª-feira

É assim no país e não será diferente nas escolas. A crise obrigou o Ministério da Educação e Ciência (MEC) a cortar a despesa e os efeitos já se sentem: com menos 4500 professores contratados do que em 2010 e um controlo apertado sobre a contratação de outros técnicos, o ano letivo começa com menos recursos e uma dor de cabeça para os diretores, que terão de fazer mais com menos.

"A colocação de todos os professores é um dos aspetos fundamentais para o início normal das aulas. E só quinta-feira à tarde (já com o ano letivo oficialmente iniciado) as escolas foram autorizadas a começar a contratação de técnicos para os cursos profissionais e de educação e formação. Já os mais de 100 territórios educativos de intervenção prioritária (estabelecimentos de ensino com populações em risco) continuam à espera de autorização para recrutarem psicólogos e outros técnicos", lamenta Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE).

Se uns chegarão mais tarde, outros não virão de todo. As alterações na organização do ano letivo e nos currículos (ver texto relacionado) fizeram diminuir o número de contratações. No caso do Agrupamento de Cinfães (distrito de Viseu), dirigido por Manuel Pereira, são menos cerca de 30 professores em relação a 2010. "Os alunos chegam a ficar nove horas na escola. Os docentes estão sobrecarregados com turmas. Não sei como vamos conseguir acompanhá-los na biblioteca ou no apoio ao estudo".

Também na Secundária de Felgueiras nem todos os professores estão colocados. "Temos 14 técnicos especializados ainda em falta", confirma o diretor, Pedro Araújo. Com menos um adjunto na direção, menos uma dezena de contratados e um corte nas horas atribuídas às escolas para várias tarefas haverá "trabalho acrescido", antecipa.

Escolhas limitadas


Regresso às aulas: menos professores e menos dinheiro
 
 

A começar pelas direções, explica o presidente da ANDE. "Até aqui o diretor podia atribuir funções de assessoria à direção ao docente mais habilitado para essa tarefa, atribuindo-lhe em contrapartida uma redução do horário letivo. Agora, a escolha terá de ser limitada aos professores que, pela idade e tempo de serviço, já beneficiem de uma redução das horas de aulas, exemplifica. São profissionais que estão mais em fim de carreira e, nalguns casos, já em desinvestimento".

A mesma lógica aplica-se a outros projetos das escolas e que ficaram sem horas consignadas. No Agrupamento de Cinfães, por exemplo, o crédito horário atribuído passou de 88 horas para 14. O raciocínio é simples: quanto menos horas para tarefas que não dar aulas, menos necessidade há de contratar docentes.

Manuel Esperança, presidente do Conselho das Escolas, admite as dificuldades mas defende que é prematuro antecipar problemas: "Vamos ver como correm as coisas. No final do ano comunicaremos ao ministro os constrangimentos causados".

As preocupações com os cortes estendem-se aos pais, que temem um desinvestimento em recursos considerados fundamentais, como psicólogos e outros técnicos que apoiem os alunos com mais dificuldades e façam a ligação com as famílias, diz José Ascensão, da Confederação das Associações de Pais (Confap). A esta junta-se o preço dos manuais escolares. "Mesmo não havendo aumentos, o rendimento das famílias é menor. Logo, são mais caros". A situação agrava-se no caso das famílias que têm os livros e o material comparticipados. O despacho que regula os apoios sociais ainda não saiu e até lá é-lhes pedido que adiantem as compras. "É inconcebível que peçam isto a quem não tem dinheiro", critica.

Em busca de um horário


Racionalizar recursos é a palavra de ordem e o processo não ficará para aqui. Ao todo, são menos €500 milhões que o MEC terá para gastar em 2012, incluindo o ensino superior (ver entrevista) e que se somam aos €800 milhões cortados este ano. O fecho de quase 300 escolas ou a eliminação da disciplina de Área de Projeto e redução do Estudo Acompanhado já estão a contribuir para essa meta. Garantir melhores condições de ensino e reforçar as aulas de Português e de Matemática são os objetivos imediatos, justifica o Ministério. Mas há o reverso da medalha: a tutela precisou de menos 4500 professores contratados este ano.

Os sindicatos são unânimes em considerar que as escolas precisam de mais recursos. Mas, ainda que abrissem mais vagas, os números não bateriam certo, admite João Dias da Silva, secretário-geral da FNE, que elege o desemprego como o problema mais assustador. "Não podemos ignorar que dos mais de 47 mil candidatos com diploma para serem professores, só 12 mil conseguiram colocação no concurso. Há 15 mil com formação para professor de 1º ciclo! O Estado andou a enganar as pessoas, dando formações de banda estreita em áreas onde não existe esse emprego".

Para os 35 mil que ficaram de fora, começa agora a saga semanal em busca de um horário de substituição. Sendo certo que só uma minoria o conseguirá. Os números levaram um grupo de docentes a marcar para hoje, em Lisboa, uma concentração de protesto. Será a primeira que o ministro Nuno Crato irá enfrentar.

fonte:http://aeiou.expresso.pt/



publicado por adm às 23:46 | link do post | comentar

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