Quinta-feira, 23 de Agosto de 2012

A poucos dias do regresso às aulas, Diogo, 17 anos, prepara-se para entrar no terceiro ano da via profissional que escolheu no ensino secundário – mecatrónica – e tenciona prosseguir os estudos no Ensino Superior.

«Gostaria de ser engenheiro mecânico, os carros sempre me fascinaram, trabalhar com os motores dos carros, com máquinas», confessou à agência Lusa, manifestando-se satisfeito com a opção que tomou no final do 9.º ano: «Foi uma porta para eu vir para esta área».

Hoje em dia, diz, há empresas que não estão a recrutar engenheiros, mas técnicos de mecatrónica. «Só com este curso já podia ir para técnico de mecatrónica».

Apesar de a escolha pelo ensino profissional ter sido do Diogo, a mãe, Teresa, também não está arrependida.

«Desde a primária que tem um problema de dislexia (ficou retido no 3.º ano) e este curso é mais prático. Acho que vai mais bem preparado para a faculdade do que se fizesse o 12.º ano regular. Ele está muito motivado», contou.

No último ano do curso que frequenta numa escola privada de Lisboa, fará um estágio numa empresa com a qual o estabelecimento de ensino tem um protocolo.

O ministro da Educação, Nuno Crato, reafirmou na terça-feira a intenção delineada pelos anteriores governos socialistas de ter metade dos jovens do secundário na via profissional.

O João é um dos alunos que vai contribuir para essa meta e talvez aceitar o repto da emigração. Aos 15 anos, concluído o 3.º Ciclo, escolheu o curso profissional de turismo e sonha conhecer o mundo.

Gostava de trabalhar na gerência de um hotel ou de restaurantes, espaços que costuma observar como cliente: «Fico sempre a pensar como conseguem ter tudo certinho e organizado».

O curso, numa escola pública da Póvoa de Santo Adrião, acarreta uma carga horária maior, mas tem a vantagem de não ter trabalhos de casa.

«Tem as disciplinas em que me sinto mais confortável, como Português e Inglês, e todas as actividades são realizadas nas aulas», explica.

Trabalhar fora de Portugal é uma hipótese que considera desde já. «Gostava de ir a todo o lado».

A Associação Nacional das Escolas Profissionais (ANESPO) estima que 40 por cento dos alunos já esteja no ensino profissional, após a expansão dos últimos anos.

«A ministra Maria de Lurdes Rodrigues obrigou as escolas secundárias todas a abrirem cursos profissionais e [o ensino profissional] desenvolveu-se muito graças ao esforço das escolas», disse à Lusa o director executivo da associação, Luís Costa, sublinhando que a meta dos 50 por cento já estava inscrita na Estratégia de Lisboa «há muitos anos».

O dirigente não prevê grandes alterações no universo de alunos com o alargamento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos, até pela quebra demográfica e pelas dificuldades económicas que podem levar ao abandono. Um levantamento feito junto dos associados revelou que 15 por cento dos alunos desistia no primeiro ano por razões económicas.

Em declarações à Lusa, o secretário de Estado do Ensino e Administração Escolar, João Casanova de Almeida, revelou este mês, quando da divulgação do concurso de professores, que, nos últimos três anos, se registou uma redução de cerca de 200 mil alunos, em todos os graus de ensino, o equivalente a sete mil turmas.

Os cursos profissionais podem ser frequentados em escolas privadas, secundárias públicas e nos estabelecimentos do ensino particular e cooperativo com contrato de associação com o Estado, segundo Luís Costa.

Acresce a oferta pública das escolas de hotelaria do Turismo de Portugal. Dentro das escolas profissionais incluem-se também as de música e dança e de agricultura.

fonte:Lusa/SOL



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